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Você sabe de onde veio a nossa alface?

 

Fig. 1

 

A nossa moderna alface, Lactuca sativa, é originada da Lactuca serriola (Fig. 1 e 2), que ainda pode ser vista em toda a Europa e em regiões de clima temperado em algumas partes da Ásia. É provável que tenha se originada da região mediterrânica sobre áreas rochosas ou clareiras florestais . Este antigo parente selvagem da moderna alface contém propriedades semelhantes ao ópio. Os romanos se aproveitaram desta propriedade, comer alface, no final de uma refeição para induzir ao sono.

Em outros tempos os Egípcios também usavam a alface com a mesma função. No entanto, assim como uma ajuda para dormir, foi também associado com a virilidade masculina. A planta da alface cresce na forma de parafuso verticalmente para cima, isso combinado com uma substância leitosa que exuda quando cortada
(Fig. 3), era visto como um símbolo do sexo masculino (ejaculação).

Com o grande número de variedades de alface existentes, é praticamente impossível afirmar sua origem exata. Certamente os romanos e egípcios continuaram a utilizar a alface na alimentação muito depois dessas grandes civilizações começarem a declinar. Muitas variedades podem ter cruzadas com o tipo selvagem L. serriola até chegar a nossa moderna L. sativa.
 

 

Fig. 2

 

Fig. 3

Uso medicinal.

A planta é rica em uma seiva leitosa que endurece e seca quando entra em contato com o ar. A seiva contém 'lactucarium', que é utilizada por possuir propriedades anodina, antiespasmódica, digestiva, diurética, hipnótica, narcótica e sedativa. É usada no tratamento de insônia, ansiedade, neuroses, hiperatividade em crianças, tosse seca, dores reumáticas. A quantidade de lactucarium é baixa em plantas jovens e mais concentrada na fase de floração.


A planta deve ser usada com cautela, e nunca sem a supervisão de um profissional capacitado. Mesmo em doses normais podem causar sonolência enquanto o excesso provoca inquietação e pode causar a morte por overdose.

 

Marcelo Rigotti