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Compostagem caseira prática e ecológica.
 

 

Compostagem é um processo natural pelo quais os materiais orgânicos sofrem decomposição. É um processo controlado e assim acelerado em relação ao que ocorre na natureza, o seu manejo envolve o controle do equilíbrio entre nutrientes, ar e água.

É necessário, em conseqüência da grande quantidade de lixo urbano produzidos, um aproveitamento ou reciclagem dos resíduos orgânicos gerados nos lares brasileiros. Desta forma alem de contribuir com a manutenção do ambiente, o material que seria descartado estaria voltado para a natureza de uma forma mais rápida e equilibrada.

O processo de compostagem é conduzido por microrganismos aeróbicos que transformam a matéria orgânica em um material que é mais bem absorvido pelas plantas e que ajuda a equilibrar a estrutura do solo. Já os materiais que são enviados para os lixões não são na sua totalidade aproveitados pelos organismos aeróbicos, porque não existe um tratamento correto da transformação, dando assim oportunidade para que os organismos anaeróbicos atuem deixando como produto um composto não aproveitável pelas plantas. O resultado final deve ser um material escuro, fino sem a aparência do material que deu origem, sem o cheiro característico da amônia e com baixa umidade.

Iniciando o composto.
Vários tipos de materiais podem ser utilizados no processo de compostagem, tais como folhas e restos de plantas, grama, restos vegetais de cozinha, borra de café, esterco bovino, de cavalo ou de aves. Não devem ser utilizados carnes, estercos caninos, pois podem atrair insetos e animais indesejáveis.

Local.
Deve ser instalado em um local apropriado, longe da convivência com as pessoas, pois pode gerar odores. As instalações devem ser elevadas de 5 a 10cm, disponibilidade de
água é importante para manter a umidade do composto e este deve ser protegido do sol.


Composto diretamente no solo.
As pilhas de composto podem ser feitos diretamente no solo, na forma de camadas. Também pode ser colocado em uma cova de 10cm de altura onde o material será colocado em camadas ou cercado com tela, tijolo ou madeira (Fig. 1). A aeração pode ser feita com a colocação de galhos grossos que quando levantados permitem a entrada de ar na parte de baixo do composto.

Figura 1



Compostagem em recipientes.
O mais pratico é a utilização de recipientes para pequenas quantidades de matéria orgânica ou em locais com pouco espaço para implantação de uma composteira. O grande problema da utilização deste material esta na pequena quantidade de matéria orgânica o que dificulta o aumento de temperatura do material já que a aeração pode ser feita girando ou rolando o recipiente no chão. Outro problema seria a separação e retirada do material já compostado dos materiais fresco que são colocados por cima do composto pronto. As soluções para estes problemas seriam a adição de outros materiais de fora da residência para o caso de pouco material e a colocação de uma abertura na parte de baixo do recipiente (não no fundo). Compostagem em barril furado e elevado do chão (Fig. 2) para facilitar a aeração pode-se rolar ao barril pelo chão. Metade de um barril de plástico perfurado para pouca quantidade de matéria orgânica (Fig. 3).

Figura 2


Figura 3



Problemas e soluções.
Mau cheiro: pode ser causado pela adição de carnes, ossos ou estercos de cães ou gatos, é solucionado descartando esses do composto. A não reviragem (Fig. 4) do material que impede a oxigenação deixando o composto propicio para a ação de organismos anaeróbicos que são responsáveis pelo mau cheiro. Excesso de umidade também pode impedir uma boa oxigenação do material em decomposição. As gramíneas são ricas em carbono o que pode impedir uma adequada decomposição, por isso um composto muito rico em gramas deve ser misturado com outros ricos em nitrogênio como esterco bovino ou de aves.

Insetos indesejáveis: muito seco e a não mistura do material, a solução é a umidificação do material de forma periódica e o revolvimento da pilha de composto. Atenção nem todos os animais que aparecem no composto são pragas, o ecossistema do composto contem invertebrados úteis como isopodos, milipedes, centipedes, minhocas, formigas e
outros.

Animais indesejáveis: ratos são atraídos por restos de carne que não devem ser adicionados ao composto. Sapos ou pererecas aparecem pelo excesso de umidade.

O material não esta se transformando em composto: falta de nitrogênio que pode ser resolvido adicionando esterco de bovinos ou aves. A falta de água também é primordial nesta transformação, assim como o revolvimento do composto para a ação dos organismos aeróbicos. A falta de aeração também pode super aquecer o composto. Recipiente de plástico furado para promover a aeração do composto.


Materiais que podem ser utilizados.
Materiais verdes (ingredientes ricos em nitrogênio – decomposição rápida):

Podas de grama;
Ervas daninhas;
Urina de vaca (diluída na proporção de 20:1);
Cascas de frutas e produtos hortícolas;
Saches e folhas de chá;
Borra de café;
Restos de poda verdes;
Esterco de vacas e cavalos;
Esterco de aves;
Toalhas de papel;

Materiais secos ou lenhosos (ingredientes rico em carbono – decomposição lenta):
Pacotes de pães;
Filtros de café;
Tubos de papeis higiênicos ou papel toalha;
Caixas de ovos;
Resíduos de papel e lixo eletrônico (sem tinta);
Camas de animais (fenos, palhas, restos de madeira)
Camas de folhas.

Outros itens compostáveis:
Cinzas de madeira (com moderação);
Recortes de cabelos e unhas;
Casca de ovos;
Fibras naturais (lã ou algodão);

Materiais que NÃO podem ser utilizados:
Ossos;
Manteiga;
Esterco de cães e gatos;
Queijos;
Restos de carnes;
Peixes;
Alimentos gordurosos;
Derivados do leite;
Óleos vegetais;
Sementes de plantas invasoras;
Materiais tratados com pesticidas;

Dicas para uma boa compostagem.
Água: os microrganismos na pilha de composto necessitam de água para se desenvolver, a umidade necessária é aquela que deixa o composto como se fosse uma esponja, nem encharcado nem seco. Nunca deixe o composto seco Nutrientes: os microorganismos necessitam de carbono como fonte de energia e nitrogênio como fonte de proteínas vitais à sobrevivência. Um adequado equilíbrio é mantido através da mistura de duas partes de material fresco rico em nitrogênio com uma parte rica em carbono (material seco).
Aeração: para acelerar a decomposição, revire o material e misture periodicamente, isto provem os microrganismos oxigênio necessário para o seu metabolismo e aquecimento
do material, pode ser feito uma vez por semana.
Superfície de contato: quanto menores forem os materiais, mais os microrganismos trabalham, assim, mais rapidamente os materiais vão se decompor.
Tamanho da pilha: quanto maior for o volume de material, mais rápida será a decomposição, pouco material impede o bom desenvolvimento do composto.

Como usar o composto.
Adubo: deve ser adicionado na época de plantio, além de prover nutrientes para as planta atua também na melhoria das condições químicas, físicas e biológicas do solo.

Cobertura: pode-se colocar o composto em volta das plantas e locais sem vegetação, ajuda a melhorar as condições do solo além de minimizar efeitos do sol e da chuva.

Em vasos: o composto deve ser colocado na mesma quantidade que a areia e o solo, o composto deve ser peneirado para que apenas partículas pequenas sejam usados na mistura. No fundo dos vasos devem ser colocados cacos ou pedras para aumentar a drenagem.


Figura 5

 

Eng. Agr. Marcelo Rigotti,

Sugestão de leitura.
Oliveira, A. M. G.; Aquino, A. M.; Castro Neto, M. T. Compostagem caseira de lixo orgânico doméstico. Circular Técnica, 76. Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, 2005. [on line] www. cnpmf.embrapa.br.

Nordstedt, R. A. and Barkdoll, A. W. Construction of Home Compost Units. University of Florida, IFAS extension. [on line] http://edis.ifas.ufl.edu.

Hlubik, W. T.; Forsell, J.; Weidman, R. and Winokur, M. Home Composting. Rutgers Cooperative Extension, The State University of New Jersey. [on line] www.rce.rutgers.edu.

Referências.

Figura 1: Composting turns household wastes into valuable fertilizer and soil organic matter. USDA Natural Resources Conservation Service. [on line] www.nrcs.usda.gov/FEATURE/backyard/pdf/compost.pdf

Figura 2: Fountain, W. M.; Harker, C.; Warner, R. and Hutchens, T. K. Home Composting: A Guide to Managing Yard Waste. Kentucky Cooperative Extension. [on line] www.ca.uky.edu.

Figura 3 e 4: Regional Recycling Backyard composting guide. [on line]
www.ci.citrus-heights.ca.us