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A descaracterização da cultura indígena da reserva de Dourados – MS.

M. Rigotti 1, M. do C. Santos 2. FCA/UNESP, CP 237, 18610-307, Botucatu - SP 1; Ass. Vida Verde, Dourados - MS 2.

 

Resumo: A Reserva Indígena de Dourados, criado na época de Getulio Vargas, possui aproximadamente 3554 hectares e cerca de 15 mil índios, das etnias Nandeva e Kaiowa, dos troncos Guarani, Terena e Aruak, a reserva não conta, na sua totalidade, com estrutura básica como saneamento, água tratada ou energia elétrica. Os indígenas sofrem com a discriminação agravada pela falta de ações consistentes do poder público, sendo este espaço ocupado por organizações não governamentais. Um dos fatores citado que mais colaboraram para a perda da cultura foi a descaracterização dos costumes indígenas, desde a época em que foram retirados de suas terras naturais e colocados em uma reserva próximo à civilização. Mais tarde este processo foi agravado pelo assistencialismo dos governos, doando cestas básicas, sementes, adubo, etc. A fome, a miséria, o alcoolismo, o uso das drogas, a desagregação familiar, a desnutrição, a falta de emprego, o suicídio e a falta de projetos sociais são fatores que acompanharam esta reserva indígena por toda sua história. Com tradição extrativista, vivem do que colhem dentro da reserva, é uma tradição tão antiga, que não sabem como começar a ter uma outra atividade que possa ajudar na manutenção da família. Desta forma os indígenas passaram a ficar “preguiçosos” de acordo com o diretor de uma escola indígena, na época. Um outro fator agravante, também citado pelo diretor, seria o
fato que de as índias com a intenção de receber mais recursos da bolsa família, estariam concebendo cada vez mais filhos. O que levaria a um outro problema ainda pior a fome pela falta de recursos e de alimento, pois as famílias não investem na agricultura de subsistência.