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Educação ambiental e plantas medicinais para professores em escolas municipais em Dourados – MS.

M. Rigotti 1, M. do C. Santos 2. FCA/UNESP, CP 237, 18610-307, Botucatu - SP1; Ass. Vida Verde, Dourados - MS2.
 


Resumo: Com a finalidade de colaborar com a melhoria da qualidade do ensino público e conscientização sobre a importância da relação entre o homem e o ambiente, professores do ensino fundamental foram capacitados no ano de 2004 em Dourados, MS. O objetivo deste projeto foi levar os professores a refletir sobre a importância das plantas medicinais, de sua cura potencial e prevenção de doenças, incentivar a aplicação correta da medicina caseira no dia-a-dia e o uso cotidiano do remédio caseiro na comunidade, resgatar a consciência da utilização das plantas medicinais, sensibilizar a comunidade escolar para a utilização de plantas medicinais e incentivar o uso das hortaliças, ricos em nutrientes importantes para uma saúde mais equilibrada. Este projeto contou com a participação de um Agrônomo e uma Bióloga que orientaram projetos e ministraram cursos aos participantes. Observamos que, com a implantação dos cursos nestas unidades de ensino, os professores conseguiram resgatar a sabedoria popular em relação às plantas medicinais e de seu uso, com conhecimento e interesse pelo assunto.

Palavras-chave: Educação ambiental, remédios caseiros, plantas medicinais.

INTRODUÇÃO

Os problemas ambientais relacionados ao desenvolvimento econômico e social começaram a aparecer a partir do momento que o homem passou a domesticar o ambiente. A “Revolução industrial” e a “Revolução verde” começaram a despejar produtos sintéticos e assim alterar o ambiente de uma forma tão drástica que chegou ao ponto de contaminar toda comunidade de animais e vegetais existentes nas áreas ao redor.

Até o momento as soluções apresentadas como a tecnologia de despoluição ou leis cada vez mais elaboradas, aumento de impostos para quem polui mais ou até mesmo subsídios para “produtos verdes”, tem tido um êxito relativo, ao mesmo tempo em que a situação ambiental do planeta esta cada vez pior e irreversível.

Por isso, a principal solução para os problemas ambientais é a Educação Ambiental em todos os níveis e setores da sociedade, produtivos ou não. A Educação Ambiental é a principal saída, mas não a única e nem isolada, que deve ser acompanhada por medidas econômicas, políticas, tecnológicas, etc. É uma ferramenta fundamental para provocar uma mudança de atitude e de comportamento na sociedade, não só nos produtores, mas também nos consumidores, promovendo uma aprendizagem caracterizada pela sensibilização e participação, que permita não só compreender, mas também comprometer-se naquilo que querem entender.

A finalidade fundamental da educação ambiental é mostrar que tanto os indivíduos como as sociedades devem compreender a natureza complexa do meio ambiente, resultante das interações de seus diferentes aspectos: físicos, biológicos, sociais, culturais, econômicos, etc., e adquirir os conhecimentos, os valores e as habilidades práticas para participar responsável e eficazmente na prevenção e solução dos problemas ambientais e na gestão da qualidade do meio ambiente.

Existe uma interdependência muito estreita entre todos os seres vivos e entre os fatores de seu habitat, por isso, uma alteração entre os seres vivos modifica também o seu habitat e a outros 2 habitantes deste meio. A perda da biodiversidade equivale a perda da qualidade de vida como espécie e em caso extremo, pode acarretar o desaparecimento de toda espécie humana.

A exploração extrativista vem contribuindo para erosão genética das espécies animais e vegetais, ameaçando-as de extinção. No caso das plantas medicinais o extrativismo tem alcançado altos níveis de depredação, colocando em risco de extinção um grande numero de espécies, inclusive catalogadas pelo Ibama. O grande desafio é conseguir manter essa diversidade de plantas, contribuindo para evitar a erosão genética, ou seja, processo de perda da riqueza genética da flora medicinal ou alimentar (Mooney, 1987).

A medicina tradicional, conceituada como práticas baseadas em crenças, sendo parte da tradição de cada país, onde passa de uma geração a outra, tem sido difundida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um pilar essencial nos cuidados primários de saúde (Negrelle, 2007).

O conhecimento tradicional sobre o uso das plantas é vasto e é, em muitos casos, o único recurso disponível que a população de países em desenvolvimento tem ao seu alcance. As plantas usadas como remédio quase sempre tem posição predominante e significativa nos resultados das investigações etnobotânicas de uma região ou grupo étnico (Pasa, 2005). O objetivo deste projeto foi levar os professores a refletir sobre a importância das plantas medicinais, de sua cura potencial e prevenção de doenças, incentivar a aplicação correta da medicina caseira no dia-a-dia e o uso cotidiano do remédio caseiro na comunidade, resgatar a consciência da utilização das plantas medicinais, sensibilizar a comunidade escolar para a utilização de plantas medicinais e incentivar o uso das hortaliças, ricos em nutrientes importantes para uma saúde mais equilibrada.

MATERIAL E MÉTODOS
Local: Escolas Municipais: Januário Pereira de Araújo, Lóide Bonfim de Andrade, Profª Elza Farias Kintschev Real, município de Dourados – MS. Período: junho a outubro de 2004. Método utilizado: Foram oferecidos cursos aos 65 professores participantes de quatro escolas municipais e que tiveram como conteúdo a identificação, coleta, propagação, conservação, cultivo e preparação caseira de produtos com plantas medicinais. Os professores foram capacitados a produzir remédios caseiros, tais como: sabonete de enxofre, sabonete de barbatimão, pomada cicatrizante, óleo para massagem, xampu contra parasitas, suco de ervas, xarope de ervas com mel, garrafadas e tintura. Através de palestras aprenderam ainda como utilizar as plantas medicinais em projetos de educação ambiental e também implantaram
hortos medicinais e de plantas alimentícias nas escolas.


RESULTADOS
Na fase de sondagem foi observado que os professores tinham interesse no assunto, mas se queixavam da falta de profissionais para orientação tanto na área de plantas medicinais quanto na educação ambiental. Os cursos oferecidos aos professores ajudaram a entender melhor os processos de identificação, coleta, propagação, conservação e cultivo de plantas medicinais. Os professores aprenderam a produzir os seguintes remédios caseiros: sabonete de enxofre, sabonete de barbatimão, pomada cicatrizante, óleo para massagem, xampu contra parasitas, suco de ervas, xarope de ervas com mel, garrafadas e tintura. Aprenderam ainda como utilizar as plantas medicinais em projetos de educação ambiental através do processo de 3 interdisciplinaridade e de utilização das plantas em cada disciplina e também implantaram hortos medicinais nas escolas.

DISCUSSÃO
A Educação Ambiental relacionada às plantas medicinais é uma ferramenta importante na conservação das espécies nativas e em risco de extinção e nada mais adequado que passar essas informações para educadores e formadores de futuros cidadãos.

REFERÊNCIAS
Negrelle, R. R. B.; Tomazzoni, M. I.; Ceccon, M. F.; Valente, T. P. 2007. Estudo etnobotânico junto à Unidade Saúde da Família Nossa Senhora dos Navegantes: subsídios para o estabelecimento de programa de fitoterápicos na Rede Básica de Saúde do Município de Cascavel (Paraná). Rev. Bras. Pl. Med., Botucatu, v.9, n.3, p.6-22.
Pasa, M. C.; Soares, J. J.; Neto, G. G. 2005. Estudo etnobotânico na comunidade de Conceição-Açu (alto da bacia do rio Aricá Açu, MT, Brasil). Acta bot. bras. 19(2): 195-207.
Mooney, P. R. 1987. O escândalo das sementes: o domínio na produção de alimentos. São Paulo: Nobel