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Agroecologia e os pesticidas no ambiente.

 



 

Agroeocologia é uma filosofia de um sistema de cultivo. Tem suas origens nos valores que refletem uma consciência de problemas ecológicos e sociais. Envolve os procedimentos que trabalham com processos naturais para conservar todos os recursos e para minimizar os danos ambientais. Os sistemas sustentáveis de agricultura são projetados a fim de buscar vantagem máxima dos nutrientes existentes no solo e procurar respeitar o ciclo da água e os fluxos de energia, organismos benéficos do solo, e controle natural de pragas.

 Pesticidas e o ambiente

A diminuição do uso dos pesticidas é uma tendência mundial que pretende retornar o ambiente a um equilíbrio aceitável e “natural”.

Na maioria dos casos, as populações de insetos e doenças e na maioria de outros organismos vivos formam um ciclo e estão em equilíbrio no ambiente respondendo a fatores ambientais e intensa busca pela sobrevivência.

A fisiologia e as adaptações dos organismos vivos variam de acordo com cada espécie, muitos produtos químicos são venenosos a um grupo e inócuo a um outro grupo de organismos.

O uso e difundidos dos pesticidas por produtores rurais, em grandes plantações e pelo público em geral causam a contaminação ambiental. Estima-se que a 68% de tal contaminação é um resultado de usos agriculturais, seguido pelos usos industriais e do comercial (17%) e pela aplicação em jardinagem (15%). No ambiente, os pesticidas podem ser transportados por via aérea e podem eventualmente se depositar na superfície do solo ou da água. Os pesticidas aplicados diretamente ao solo podem ser lavados para os cursos d’água ou podem infiltrar-se através do solo para camadas de água abaixo do solo. Além dessas conseqüências diretas os pesticidas acumulados na água podem sofrer evaporação causando também a poluição do ar.

Como estes pesticidas podem ser quebrados em moléculas menores, ou ser degradados, pela ação da luz solar, da água, ou os outros produtos químicos ou microorganismos. Este processo de degradação conduz geralmente à formação de menor quantidade de resíduos prejudiciais, mas em alguns casos podem produzir produtos mais tóxicos.

A segunda possibilidade é que os pesticidas se tornem resistentes à degradação por todos os meios e assim permanecem no ambiente por períodos de tempo maiores levando a uma possibilidade maior de causar efeitos adversos. As moléculas que são quebradas mais rapidamente têm possibilidade menor de se mover ou terão de outra maneira efeitos adversos em seres humanos ou em outros organismos.

Hoje quando se fala em desenvolvimento sustentável, espera-se um consenso sobre a necessidade de uma produção agrícola com o mínimo de impacto sobre o ambiente. A tão apregoada Revolução Verde , como ficou conhecida na década de 70, usou e ainda usa de artifícios para o aumento da produção, controle de pragas e doenças. Esses produtos ficaram conhecidos como agrotóxicos e são hoje os responsáveis por um grande número de doenças que assola a nossa sociedade e também pelo grande impacto ambiental sobre a água, o ar, o solo e a biodiversidade.

Nos últimos anos, a agricultura brasileira mostrou grandes avanços, com a introdução progressiva do controle biológico de pragas e do plantio direto. À primeira vista tudo parece bem encaminhado, mas a constatação de que as despesas com agrotóxicos dobraram entre 1993 e 1997 é motivo para sérias preocupações. Em 1998, no Brasil, foram despejados no ambiente mais de 100 milhões de litros de fungicidas, herbicidas e inseticidas, aplicações que conduziram o país à posição de 42º maior consumidor de agrotóxicos do mundo.

Apesar do emprego maciço de agrotóxicos, a ocorrência de pragas aumentou de modo significativo, em conseqüência de fatores ambientais como seleção natural e resistência.
Então a cada ano os produtores têm que aumentar os seus custos e a degradação recai sobre o ecossistema.

Mas as pessoas também sofrem com o uso indiscriminado de agrotóxicos, nas áreas agrícolas o problema é tão grave que a contaminação da população de algumas cidades chega a ser extrema. Este foi um caso onde as lavouras de soja estavam nos limites de uma cidade, e a pulverização era feita por aviões, estes mesmos aplicavam os agrotóxicos no limite da lavoura com uma escola de educação infantil. Alguns moradores relataram também a contaminação direta por aplicadores sem equipamentos de proteção, casos de câncer e cegueira em aplicadores e até uma alta taxa de abortos espontâneos na cidade.

A sociedade deve despertar para este problema e exigir de seus governantes ações diretas no controle e uso indiscriminado destes produtos que causam tanto mal ao nosso ambiente.

Marcelo Rigotti.