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Efeito da solarização sobre propriedades físicas, químicas e biológicas do solo.

 

 

Atualmente, com o interesse crescente na redução dos impactos negativos da agricultura ao meio ambiente, grande ênfase vem sendo dada a outros métodos de controle de doenças de plantas, além dos métodos químicos. Nesta modalidade de controle são utilizados vários agentes físicos para reduzir o inóculo ou o desenvolvimento das doenças. Os principais são a temperatura, a radiação, a ventilação e a luz.

 

A necessidade de se estabelecerem medidas de controle mais eficientes, o maior enfoque em questões ambientais e o desenvolvimento dos sistemas de produção orgânica têm, recentemente, estimulado as pesquisas voltadas a medidas de controle que sejam eficientes e que não causem danos ao meio ambiente. Nesse contexto, a solarização e a biofumigação do solo têm se mostrado como alternativas viáveis para o controle de fitopatógenos (Lazarovits, 2001; Ghini et al., 2003; Patrício et al., 2005). São técnicas de uso simples, que não envolvem o emprego de produtos químicos e que têm possibilidade de aplicação em sistemas de manejo integrado.

 

A solarização do solo como um meio de controle contra agentes fitopatogéneos e infestantes foi inicialmente ensaiada em Israel por volta de 1973 (Katan, 1980) e na Califórnia, cerca de três anos mais tarde (Pullman et al., 1979). A solarização consiste na utilização da energia solar para a desinfestação do solo previamente umedecido, por meio da cobertura com filme plástico transparente, possibilitando a inativação de diversos patógenos através do aquecimento do solo, antes do plantio (Katan & Devay, 1991). E esta inativação pode também estar associada à ação de microrganismos com potencial para o controle biológico, tolerantes a altas temperaturas, aumentando a eficiência dessa prática (Katan & DeVay, 1991).

 

Desde então este método tem vindo a ser largamente ensaiado em vários outros países do mundo, quer ao ar livre, quer em estufa, tendo-se revelado eficaz no combate a diversos patógenos e infestantes de variadas culturas, incluindo ornamentais e culturas frutícolas (Katan & DeVay, 1991).

 

A solarização do solo baseia-se no aproveitamento da energia solar por intermédio de um filme de plástico transparente (Katan et al., 1976), de espessura reduzida, que se coloca sobre a superfície do solo previamente umedecido, durante os meses mais quentes do ano, por um período de 20 a 60 dias (Katan & DeVay, 1991), provocando uma elevação da temperatura do solo e destruindo os propágulos dos agentes patogênicos e das infestantes.

 

Atualmente, este método é pesquisado e aplicado em cerca de trinta e oito países (Katan & DeVay, 1991) tendo utilização já à escala comercial em diversas culturas nos Estados Unidos, Israel, Itália e Japão. Em Portugal, este método começou a ser pesquisado a partir de 1981, tendo-se desde então realizado vários trabalhos visando o uso da solarização do solo no combate a infestantes (Silveira & Borges, 1984) e no combate a fungos e nematóides (Gomes, 1988).

 

Em cerca de 20 anos já deu lugar a mais de 200 publicações (Borges, 1987). Tanto interesse e tão rápido desenvolvimento deve-se sobretudo ao fato de se tratar de um método cultural econômico e de fácil aplicação, que usa exclusivamente a energia solar, indo, portanto, ao encontro da atual consciência mundial de que a proteção das culturas deve recorrer, sempre que possível, a métodos não poluentes do ambiente, em especial da água e do solo.

 

O aquecimento das camadas de solo induz processos microbianos que promovem o controle de fitopatógenos, de forma a alterar a microbiota em favor de antagonistas, tornando o solo supressivo (Katan & DeVay, 1991). Assim, os efeitos no solo são menos drásticos, as temperaturas são mais baixas que as alcançadas nos tratamentos com vapor, não produz efeitos fitotóxicos e não cria o vácuo biológico no solo que favorece a reinfestação por organismos patogênicos. Muitos microrganismos saprófitas sobrevivem ao tratamento de solarização, o que favorece o controle biológico e a obtenção de características supressivas pelo solo (Souza, 1994).

 

Outros efeitos são observados com o uso da técnica, como o controle de plantas daninhas, maior crescimento das plantas cultivadas, liberação de nutrientes do solo, controle de patógenos secundários e indução à supressividade a patógenos do solo (Stapleton et al., 1985).

 

Marcelo Rigotti