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Teor de macronutrientes em plantas de alface para produção de sementes em função de doses de potássio.

C. Kano 1; A. R. O. Higuti 1; A. I. I. Cardoso 1; R. L. Villas Bôas 1

1 UNESP – FCA Depto Produção Vegetal, C. Postal 237, 18603-970, Botucatu, SP.
anreiko_higuti@hotmail.com

 

 

Resumo: O objetivo deste trabalho foi avaliar os teores de macronutrientes em plantas de alface crespa, cultivar Verônica, cultivadas para produção de sementes em função de doses de potássio. O experimento foi realizado de fevereiro (semeadura) a agosto (colheita das sementes) de 2004. Utilizou-se o delineamento experimental de blocos ao acaso, com seis repetições e cinco tratamentos: 0,0; 1,0; 1,5; 2,0 e 2,5 g planta-1 de K2O. Observou-se aumento linear para o teor de potássio e redução, também linear, para magnésio na parte aérea da planta, enquanto que os teores de todos os macronutrientes nas sementes não diferiram estatisticamente, mesmo no tratamento sem potássio.

Palavras-chave: Lactuca sativa L., absorção de nutrientes, K2O

Abstract: Macronutrients contents in lettuce plants to seed production in function of potassium levels.The objective of this work was to evaluate the macronutrients contents in lettuce, cultivar Verônica, planted to seed production in function of potassium rates. The experiment was set up from February (sowing) to August (seed harvest) 2004. The experiment was conducted in randomized complete blocks, with six replications and five treatments: 0.0; 1.0; 1.5; 2.0 and 2.5 g plant-1of K2O. It was observed a linear increase in potassium rate and a reduction, also linear, in magnesium rate at shoot plant, while in the seeds it was not observed difference in all macronutrient rate, even in treatment without potassium.

Keywords: Lactuca sativa L., nutrients uptake, K2O

INTRODUÇÃO
O conhecimento do conteúdo de nutrientes nas plantas é importante para avaliar-se a extração desses nutrientes da área de cultivo, tornando-se um dos componentes necessários para as recomendações econômicas de adubação (Raij et al., 1996). No início da fase reprodutiva, a exigência nutricional, para a maioria das espécies, torna-se mais intensa, sendo mais crítica por ocasião da formação das sementes, quando considerável quantidade de nutrientes, como o potássio e o nitrogênio, é para elas translocada (Carvalho & Nakagawa, 2000). Os trabalhos de pesquisas com a cultura da alface para produção comercial de ‘cabeça’ mostram que a quantidade de potássio estudada tem sido bastante variada, de acordo com o tipo de solo, cultivar e disponibilidade desse nutriente no solo. Entretanto, essas quantidades podem ser insuficientes para produção de sementes, em que ocorre aumento do ciclo da planta e, provavelmente, aumento na demanda por nutrientes em relação ao cultivo de alface para consumo de folhas, por entrar na fase reprodutiva. Com isso, devido à escassez de informações, o objetivo deste trabalho foi avaliar o teor de macronutrientes nas sementes e na parte aérea das plantas destinadas para produção de sementes em função de doses de potássio.

MATERIAL E MÉTODOS
Este trabalho foi desenvolvido na Fazenda Experimental São Manuel, localizada no município de São Manuel – SP, FCA-UNESP. As plantas de alface crespa, cultivar Verônica, foram conduzidas em estufas com 20m de comprimento, largura de 7m e pé-direito de 2,5m. O solo utilizado no experimento foi o Latossolo Vermelho Distrófico Típico com os seguintes resultados obtidos da análise química: pH(CaCl2)=4,0; Presina=2mg dm-3; matéria orgânica=7g dm-3; V%=11; e os valores de H+Al; K; Ca; Mg; SB e CTC expressos em mmolc dm-3 respectivamente de: 25; 1,2; 2,0; 0,0; 3,0 e 28.
A calagem e a adubação de plantio foram feitas de acordo com a análise química do solo e recomendação de Raij et al. (1996). Todo fósforo (superfosfato triplo) foi fornecido apenas no 2 plantio e a aplicação de potássio (cloreto de potássio) foi realizada conforme os tratamentos. Quanto ao nitrogênio (nitrato de cálcio), foi colocado conforme recomendação de Raij et al. (1996).
O delineamento experimental utilizado foi blocos ao acaso, com cinco tratamentos (doses de potássio) e seis repetições, sendo a unidade experimental composta por quatro vasos. Considerando-se que o ciclo da planta de alface para produção de sementes é muito superior à produção de “cabeça” e que pode ser dividido em duas etapas (vegetativa e reprodutiva), utilizou-se a dose de potássio recomendada por Raij et al. (1996) no plantio (exceto para o tratamento T1, sem potássio) e os demais tratamentos foram as doses de potássio aplicadas
após o ponto comercial (“cabeça”), sempre considerando a recomendação sugerida por Raij et al. (1996) como referência, resultando-se nos cinco tratamentos: 0,0; 1,0; 1,5; 2,0 e 2,5 g planta -1
de K2O (Tabela 1).
A semeadura foi realizada no dia 17/02/04 em bandejas de poliestireno expandido de 128 células e o transplante em 24/03/04, em vasos de plástico com volume de 13 litros sendo conduzida uma planta por vaso. O espaçamento foi de 1,0m entre linhas e as plantas espaçados de 0,5m (centro a centro dos vasos). Para a irrigação utilizaram-se gotejadores instalados individualmente nos vasos.
A colheita das sementes foi realizada manualmente de 24/07/04 a 13/08/04. A coleta da parte aérea das plantas foi realizada no final do ciclo. As análises químicas das plantas foram realizadas separadamente para a parte aérea (caule + folhas + haste floral) e para as sementes, conforme metodologia citada por Malavolta et al. (1997), obtendo-se os teores (g kg-1) dos seis macronutrientes (N, P, K, Ca, Mg e S). Após a análise de variância, realizou-se a análise de regressão em função das doses de K2O, quando detectada diferença nos teores entre os tratamentos pelo teste F.


RESULTADOS E DISCUSSÃO
Somente os teores de potássio e magnésio determinados na parte aérea das plantas foram alterados, com aumento linear para o teor de potássio e redução, também linear, para o de magnésio com o aumento das doses de K2O aplicados no solo (Figura 1 e Tabela 2). Estes resultados estão de acordo com o apresentado por Malavolta et al. (1997), que explicam que altas concentrações de potássio no meio podem inibir competitivamente a absorção de magnésio.
Quanto aos teores de todos os macronutrientes contidos nas sementes, não houve efeito significativo de doses de potássio (Tabela 2), o que deve ser um dos motivos de, apesar de ter havido redução na produção de sementes, a qualidade destas não foi afetada (Kano et al.,
2006). Apesar das plantas terem apresentado menores teores de magnésio nas doses mais altas de potássio (Figura 2), elas devem ter translocado o magnésio para a semente de modo a proporcionar teores estatisticamente iguais para sementes de todos os tratamentos (Tabela 2). Provavelmente, isso esteja relacionado ao fato de a planta visar à perpetuação da espécie com a produção de sementes (“filhas”) de alta qualidade.

Conclui-se que mesmo em condição de deficiência de potássio, o teor de todos os macronutrientes nutrientes nas sementes não foi afetado, incluindo o de potássio.

AGRADECIMENTOS
À CAPES pela concessão da bolsa de doutorado à primeira e segunda autora e à FAPESP pelo auxílio financeiro (Processo 03/09637-0).
 

Tabela 2

Figuras 1 e 2


REFERÊNCIAS
Carvalho, N. M.; Nakagawa, J. 2000. Sementes: ciência, tecnologia e produção. 4. ed. Jaboticabal: Funep. 588p.
Kano, C.; Cardoso, A. I. I.; Higuti, A. R. O.; Villas-Bôas, R. L. 2006. Doses de potássio na produção e qualidade de sementes de alface. Horticultura Brasileira 24: 356-359.
Malavolta, E; Vitti, G. C.; Oliveira, S. A. 1997. Avaliação do estado nutricional das plantas, princípios e aplicações. 2. ed. Piracicaba: Potafós. 319p.
Raij, B. Van; Cantarella, H.; Quaggio, J.A.; Furlani, A. M. C. 1996. Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. 2.ed. Campinas: Instituto Agronômico & Fundação IAC. 285p.